vendredi 25 mars 2016

Assaut


Se apaixonar parece ser assaltada.
Às vezes você sente que algo está por vir, ou até que já aconteceu. Eu chamo isso, particularmente, de estalo. Geralmente eu ignora o estalo mas ele grita fazendo um escândalo dentro do estômago - ah! e como grita.
Daí a abordagem: rápida, astuta, de surpresa. O coração palpita, as pupilas dobram de tamanho, os hormônios fogem pelos poros. Viro bicho.
O diálogo, essencial, calculado - não posso xingar, não posso me declarar, não posso correr, não posso te agarrar.
Te olho no olho, olho a boca, as mãos. Te leio cima abaixo. Quero segurar seus pulsos, te quero meio longe meio perto. Tenho medo de quanto está perto mas o longe continua sendo assustador.
Entrego tudo: a bolsa, o celular, o corpo, o coração. Entrego os beijos e a palpitação. O som.
Não me sinto obrigada, dou porque quero, podia não dar. Mas... e se não desse? Me arrependeria, sofreria, me safaria? Prefiro entregar tudo, mas já aconteceu de não o fazer.
Te tomo algo algo também - mas é óbvio! Te tiro a sanidade, te faço bicho, você tem medo também mas parece tão determinado. Quando hesita, minha brecha: te olho mais forte, te peço a identidade - que dor de cabeça fazer de novo a própria identidade!
Dois minutos, você me manda voltar, me manda esquecer sua cara ou simplesmente não fala mais nada. Talvez você olhe para trás (não sei, nunca olho) mas não faz mais diferença; o estrago foi feito, me levou tudo, a respiração começa a voltar ao normal.
Recuperar leva tempo: comprar uma nova bolsa, tirar um novo documento, o B.O. na delegacia, as noites que fico pensando em você, as marcas, o som da sua voz, suas mãos que arrancaram a minha roupa ou o meu colar.
Paro de pensar em você, recupero o que foi roubado, me preparo pro próximo assalto.

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